
Recentemente Record e SBT travaram uma batalha pelo "passe" de seus profissionais, e Gugu Liberato foi o mais disputado. Após 35 anos ao lado de Silvio Santos, chegando muitas vezes a ser cotado como sucessor do próprio, Gugu foi para a concorrente com um salário de R$3 milhões e contrato firmado por oito anos.
Leiam trechos da entrevista de Gugu publicada na Revista Meio e Mensagem, falando, sem meios termos, sobre os erros cometidos, rivalidade, rompimento com o patrão e assistencialismo na TV.
Meio & Mensagem O que o atraiu no projeto da Record, além do salário de R$ 3 milhões?
Augusto Liberato - Nunca tive um contrato de oito anos. Um contrato dessa duração é raríssimo em qualquer segmento, ainda mais em televisão. Esse plano de carreira, para mim, foi fundamental. Saber que, além do meu programa de televisão de quatro horas aos domingos, posso ter um programa na Record News, de entrevistas, e fazer algo que na TV aberta ficaria mais difícil, porque é outro público, isso me atraiu.
M&M - Quais são os diferenciais? Há quadros muito parecidos com o do Domingo Legal (que o apresentador comandava no SBT)?
Liberato - Na verdade, eu trouxe aquilo que criei. Não é que estamos parecidos com o Domingo Legal. É que aquilo que criei junto com a minha equipe eu trouxe para cá. O quadro forte, Sonhar Mais um Sonho, um quadro de reformas de casas, que realmente construiu sonhos. Outro caso é o De volta pro meu Aconchego, que lá era o De Volta para a Minha Terra, que eu criei também. Então, trouxe aquilo que era criação minha e que dava certo lá e está dando certo aqui. Na verdade, o Programa do Gugu nunca vai ser um programa igual sempre. Ele pode ter uma espinha dorsal, com alguns quadros fixos, mas o público pede mudanças. E essas mudanças vão acontecer. Temos seis programas até agora, é pouco tempo para fazer uma pesquisa e saber a opinião das pessoas. É muito cedo para isso. Mas o programa vai sofrer modificações com o desgaste dos quadros, o que é natural. Isso aconteceu nesses 20 e poucos anos de SBT - acho que o Domingo Legal tem no ar mais de 15 anos. Ele mudou muito do começo até quando o deixei. E acho que vai mudar.
M&M - Você foi visto durante anos como o sucessor natural do Silvio Santos. Como foi romper esse laço?
Liberato - Nunca houve da minha parte interesse ou desejo de sucessão. Quem criou essa história de sucessão foi a imprensa. Até porque, sinceramente, uma pessoa do calibre e do talento do Silvio Santos não tem sucessor. Ele é, se existe este termo, "insucedível". Se não existe, acabei de criar (risos).
M&M - De toda forma, foram 35 anos com o Sílvio. Era uma relação muito intensa.
Liberato - Entrei em abril de 1974, como office-boy. Tenho a carteira de trabalho assinada até hoje. Depois fui assistente de produção, produtor, diretor de programa, aí me formei em jornalismo pela Cásper Líbero (faculdade de São Paulo) e fui aos poucos galgando o meu lugar na emissora. É claro que, depois de 35 anos, é muito difícil sair de uma empresa. Mas, ao mesmo tempo, talvez isso tenha contribuído para eu sair. Porque depois de 35 anos, acho que os laços afetivos são muito fortes. É verdade. Mas o SBT hoje passa por uma transformação. Foi difícil de romper? Foi. Mas depois de 35 anos você quer novos desafios.
M&M - Essa rivalidade despertou questionamentos sobre até que ponto se deveria ir pela disputa da audiência. Vimos algumas atrações de gosto muito duvidoso na televisão. Essa fase está ultrapassada? A propagação da internet e da TV paga tornou o consumidor mais consciente e tem contribuído para a qualidade da TV aberta?
Liberato - Erros, todos nós cometemos. Não só eu, como a concorrência. O que você não pode é insistir no erro. Errou, ok. Não erre mais. Estou lendo o livro do William Bonner (Jornal Nacional: Modo de Fazer) e em um determinado momento ele diz assim: "Nesses 40 anos de Jornal Nacional, erramos muito". Isso aconteceu conosco, claro. Mas tentamos fazer aquilo que o público deseja sempre com a preocupação de não escorregar.
M&M - Já que falamos nos erros, o mais evidente da história do seu programa foi o da entrevista com os supostos integrantes do PCC. Isso respingou na sua imagem junto aos anunciantes. O episódio já está superado?
Liberato - Acho que sim. Quando fui à delegacia prestar o meu depoimento, o único que foi dirigindo o próprio automóvel fui eu. Os outros envolvidos foram todos escoltados porque estavam presos. Ora, estavam presos por crimes cometidos. Então, eu pergunto: todo mundo diz que eram supostos. Como você prova que eram supostos ou que eram realmente integrantes? Tem uma carteirinha? Eu sou de tal facção?
M&M - Você realmente não sabia que eles não faziam parte do PCC?
Liberato - Cheguei dirigindo o meu carro. Eles estavam todos presos. Por outros crimes. Disseram que não eram. Será que não eram mesmo? Eu disse isso para a juíza. Excelência eu queria que constasse que eu cheguei aqui dirigindo o meu carro e que os demais nunca vão dizer "eu sou da facção". Como é que você prova. Naturalmente havia outros interesses, havia interesse de prejudicar o Gugu, de prejudicar a emissora. A concorrência se valeu disso de uma forma absurda, foram dois meses de críticas, enfim, batendo. Outro dia um jornalista me disse que dois daquele caso já morreram. A minha produção garantiu para mim que eram (membros do PCC). Se eles mentiram - podem até ter mentido. Agora, estranho estarem presos...
M&M - Mas está superado?
Liberato - O principal ponto é que neste ano de 2009, ano de crise global, tivemos um ótimo desempenho e crescimento, que veio das novas mídias, como internet - até nos surpreendeu. A Copa do Brasil, que foi fator fundamental, trouxe uma receita importante. Esses fatores nos levaram a números superiores.
M&M - Como consumidor de mídia, o que você vê, do que gosta?
Liberato - Vejo muito tudo. TV aberta, cabo, internet então nem se fala. Agora tenho um blog no R7, nunca tinha feito blog, não tenho Twitter, não tenho Facebook ou Orkut. Mas essa oportunidade que o R7 me ofereceu de ter um blog está sendo para mim uma experiência extraordinária. E saber que o número de acessos é impressionante. No blog todo já temos 5,5 mil comentários, e estreamos há nove dias. Em termos de mídia, gosto de ver tudo, tiro idéias, a internet é uma ferramenta maravilhosa.
M&M - Na TV aberta tem alguma coisa em especial que você goste?
Liberato - Eu gosto de tudo. Tenho uma certa dificuldade em ver novela, porque ela tem um tempo. Gosto muito de ver os noticiários. Mas acho que eles vão ter problemas futuramente, porque a internet está tomando conta dessa parte. Você vê determinado assunto na televisão, mas depois tem de entrar na internet para se aprofundar. O noticiário vai ter de ser muito rápido no futuro. Por isso a Record está certa em lançar o R7.
M&M - E por que essa recusa em participar das redes sociais?
Liberato - Ainda estou aprendendo a colocar foto no meu blog (risos).

Nenhum comentário:
Postar um comentário